“Mulheres do mundo, uni-vas!”

FEMINISMO

Papo de MoçaO Papo de Moça de hoje vem com o oferecimento da Revista Mina, da fofa da Emeline Domingues.

Escrevi especialmente para a Revista Mina e compartilho agora com vocês. Chamem-me de oportunista, mas isso é (quase) tudo o que eu quero dizer nesse Dia da Mulher.

A Mina foi elaborada como projeto de conclusão de curso da Eme e ficou a coisa mais linda que eu já vi! Me senti e ainda sinto, muito honrada de ter participado do projeto de todas as maneiras que eu pude. Eme, você arrasa!

O link para a versão online da revista e o meu relato estão depois do “mais”

“Sempre me senti deixada para trás por algumas amigas em certos assuntos. Roupas, maquiagem, acessórios, sexualidade… Alguns rapazes gostavam dessa atitude, me dizendo aquela velha frase “é legal que você não seja como elas” e me adotavam como amiga. Porém, quando chegava a hora de escolher alguma garota para se relacionar, os mesmos rapazes escolhiam justamente as mais “femininas”.

A comparação começou a deixar um gosto amargo em minha boca. Passei a me sentir cada vez mais sozinha e estranha nesse mundo. Ah, como desejava que, em apenas uma vez, eu vencesse a comparação e alguém me escolhesse.

Na internet, encontrei meninas que passavam pelo mesmo que eu. Meninas tão inocentes e cheias de vida como eu era na época, eram submetidas diariamente aos mais variados tipos de abuso por criaturas hediondas e negligenciadas por uma cultura que valorizava seus atacantes em detrimento de saúde física e paz de espírito delas.

Alguns desses abusos nunca vieram até mim, uma vez que não sou o padrão que a sociedade encara como “esteticamente bonita”. Nunca me senti com tanta raiva. Raiva por ser comparada a meninas, quando nenhuma de nós deu a permissão para esta competição. Raiva por viver em uma sociedade em que somos pressionadas a nos encaixar em um padrão. Raiva por me sentir obrigada a competir com as meninas, quando o que eu mais queria era ser feliz da maneira que eu era.

Mas isso foi só até me tornar mulher perante a sociedade. Em 2013, aos 19 anos, fui alvo de uma “cantada”. Ao me vestir “como uma menina” num dia que estava muito quente, um de meus colegas de faculdade, muito mais velho, me disse que eu estava muito bonita usando meu vestido, com meu decote e pernas de fora.

A vergonha foi grande e a vontade de me cobrir, enorme. Tinha vontade de me encolher o máximo possível; de correr para casa e trocar de roupa. É loucura, mas me senti realmente suja com aquilo. A raiva por tais pensamentos veio depois. É meu corpo. Meu e de mais ninguém. A raiva só cresceu na semana seguinte quando, para o mesmo “senhor”, eu não estava bonita o suficiente porque estava de calça comprida.

Foi no mesmo ano que o assunto ganhou nome e quem o trouxe até mim foi Beyoncé. Cresci escutando algumas de suas músicas e vendo que ela era dona de seu nariz – e u sempre quis isso para mim. Ao acordar em um belo dia e ver que seu álbum autointitulado estava entre nós, eu enlouqueci. Deixei que aquelas músicas entrassem em mim e algo “clicou”. Enquanto as amigas encaravam só a parte sexual das músicas e dançavam, eu vi aquilo como um grito de liberdade para tudo: meu corpo, minha sexualidade, meus pensamentos, minha vida. E dancei junto.

Ao escutar a voz de Chimamanda Ngozi Adichie descrevendo algo a muito dentro de mim, a venda foi tirada. O assunto ganhou notoriedade em todos os lugares e eu entendi toda a complexidade dos nossos problemas. Abusos, violências, desprezo, descrédito, inferioridade, negligência.

Não que o feminismo tenha resolvido os meus problemas. O movimento me fez mais consciente com os que acontecem a minha volta. Deu-me garras e voz. Abriu a porta para que eu começasse a buscar a minha felicidade. Aprendi que lutar por mim e por outras meninas não é errado. Que amar meu corpo não é loucura. Que ter ambição não deve afastar as pessoas que me desejam o melhor: eu posso ter uma carreira, marido e filhos.

Fez-me ver que sim, eu mereço algo muito melhor do que eu buscava quando era mais nova e que ninguém vai tirar o meu sucesso e felicidade de mim. Nem de outra mulher, se eu puder evitar.”

sororidade

Assinatura Isa

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